Um glossário do mundo subterrâneo

Professor da USP comenta o "Dicionário Infernal", de Collin de Plancy, coeditado pela Edusp

31/07/2019

Em Jornal da USP

Por Jean Pierre Chauvin

Acaba de sair do prelo o Dicionário Infernal, de Jacques Auguste Simon Collin de Plancy (1793/4-1881). Coeditado pela Edusp, a Editora UnB e o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, o volume, com capa dura roxa, preenchida por tipologia que evoca manuais da Idade Média, contém 944 páginas e traduz a sexta edição da obra, publicada pela Maison Henri Plon, em Paris, no ano de 1863.

Em seu tempo, o autor despertou ora a desconfiança, ora o beneplácito da sociedade e, especialmente, de representantes ligados à Igreja Católica, como salienta Ana Alethéa de Melo Cesar Osório – pesquisadora da Universidade de Brasília – no prefácio ao livro: “A sexta e última edição […] incluiu até mesmo um ‘selo’ de aprovação do arcebispo de Arras, Boulogne e Saint-Omer de que não continha nada que pudesse ferir a fé e os costumes”.

Se tivéssemos que descrever do que se trata, poderíamos afirmar que o dicionário consiste num extenso catálogo de nomes próprios de soldados rasos, intermediários e líderes, todos súditos de Lúcifer. Além de trazer as figuras de relevo na monarquia infernal, de Plancy listou figuras históricas (de Sócrates a Voltaire), elencou palavras-chave, algumas de uso corrente, como “abismo”, em acepções que surpreenderão, inclusive, os leitores de vasto repertório.

[…]

Dicionário Infernal é uma dessas obras de referência, que merece ocupar lugar de destaque, seja em acervos públicos, seja em bibliotecas particulares, preferencialmente ao imediato alcance dos consulentes – quem sabe, posicionado entre a Bíblia, os Evangelhos ditos apócrifos, os dicionários de mitologia greco-latina, nórdica e dos povos situados ao Oriente, os manuais de simbologia etc.

Algum leitor mais espirituoso poderia objetar que se trata de obra cujo teor é blasfemo e não se pode levar a sério. A ele ofereço o contra-argumento de que num país que voltou a mitificar personalidades, a despeito de suas ações controversas, nada seria mais adequado que preencher o vazio da mente, do espírito e da estante com um glossário voltado a ilustrar, se não a justificar, a permanência do mito de Satã, ou Belzebu, ou Lúcifer, entre nós.

No mínimo, Jacques Collin de Plancy suscitará o riso, que anda a rarear em nossos dias, plenos de ódio e hipocrisia – muitas vezes exercitados em nome de Deus, da lei e da ordem.

Leia o texto original na íntegra no Jornal da USP

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