Til e as complexas relações sociais

01/10/2019

Em Pesquisa Fapesp

Por Valeria De Marco

É bem provável que, ao ver este título, O idílio degradado: Um estudo do romance Til , alguns leitores se perguntem: como e por que escrever um livro sobre José de Alencar? Paula Maciel Barbosa oferece uma resposta consistente. Concentrou-se em Til, romance pouco lido e pouco comentado pela crítica, e realizou uma escavação sistemática para seguir suas raízes, tanto as visíveis como as profundas. Escolheu uma forma de exposição que combina uma direção do mais geral ao mais singular a um movimento semelhante ao da dobradiça para comentar as relações entre os elementos de composição da obra e os diversos contextos por eles mobilizados. Assim, explicita sua filiação crítica a Antonio Candido e a opção pela escrita generosa que acolhe com igual respeito o interesse pela história do Brasil e pela literatura.

As complexas relações sociais capturadas pelo enredo de Til são o foco da primeira e mais extensa parte do livro que historiciza o texto, extraindo dele uma leitura da crise do Segundo Reinado, operação que requer alguns movimentos. A autora apresenta o romance referindo-se a seus principais acontecimentos e personagens bem como ao tempo e ao espaço em que tudo ocorreu: no período de 1826 a 1846, em uma fazenda às margens do rio Piracicaba, interior de São Paulo. Com esses elementos básicos, Alencar pôs em ação a propriedade agrícola produtiva e Paula Barbosa põe em destaque o fazendeiro de café, o trabalho escravo, os imigrantes, o capanga e ampla variedade de homens livres e pobres; adota a classificação de “romance fazendeiro”, proposta por Antonio Candido, e explora os diferentes contextos em que Til se insere. No plano literário, dialogando com a fortuna crítica, a autora demarca as singularidades da obra em foco diante de outros romances do escritor, comparando-os aos abrigados na tipologia de “regionalistas” e a alguns filiados aos demais tipos, pois considera procedimentos literários recorrentes na ficção de Alencar. Assim, a autora postula haver certa continuidade de traços das obras indianistas nas regionalistas ou recursos semelhantes de construção das personagens femininas que povoam obras de Alencar inscritas em outras tipologias.

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