Sergio Miceli assume Edusp com foco em fortalecer união das editoras universitárias e obras acadêmicas

Novo diretor-presidente acredita que editoras das universidades estaduais paulistas precisam amplificar a voz

Em Edusp

Por Divulgação

Novo diretor-presidente acredita que editoras das universidades estaduais paulistas precisam amplificar a voz

Fortalecer ainda mais a publicação de coleções, clássicos, ensaios, obras didáticas e a produção de qualidade dos docentes é a missão do sociólogo Sergio Miceli Pessôa de Barros, que assumiu no mês de março como diretor-presidente da Editora da Universidade de São Paulo (Edusp). Ele também defende que as editoras das universidades estaduais paulistas precisam se unir para amplificar a voz e fortalecer o trabalho acadêmico, principalmente com a divulgação de obras que “as editoras comerciais jamais fariam”.

Miceli já exerceu a função de 1994 a 1999 na instituição, que completa 60 anos em 2022, e substitui Carlos Roberto Ferreira Brandão, que estava no cargo desde 2020. Em entrevista, ele fala sobre como pretende revitalizar a Coleção Ensaios Latino-Americanos da editora, retomar também a tradução de ensaios importantes em todas as áreas e trabalhar pelo fortalecimento comercial da Edusp, com novas livrarias e venda de livros de outros selos.

Professor titular do Departamento de Sociologia da USP, Miceli tem graduação em Ciências Políticas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), mestrado em Ciências Sociais pela USP, doutorado em Sociologia na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, em Paris, e doutorado em Sociologia pela USP. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências.

– Quais os planos para a gestão, as perspectivas para os próximos quatro anos?
Sergio Miceli: A Edusp tem uma série de coleções que nos últimos anos foram um pouco descontinuadas, especialmente a coleção de clássicos e a coleção sobre a América Latina. No ano que vem a USP vai abrigar o Congresso Internacional de Estudos Históricos Latino-americanos e queremos revitalizar essa linha de publicações e também a coleção de clássicos. Outro ponto importante é que queremos retomar uma iniciativa na tradução de ensaios importantes em todas as áreas da humanidade, não só em ciências sociais e letras, mas também música, artes plásticas, história da arte. Vamos fazer também um edital para selecionar obras didáticas, que será universal para todos os professores da USP e em todas as áreas. Por material didático entenda-se cursos, estudos de casos, manuais, tudo o que puder ser usado na graduação ou na pós-graduação.

– Como enxerga a iniciativa da Edusp de entrar no mercado de ebooks, já que assume com a publicação dos primeiros 12 títulos encaminhada para este semestre?
SM: Foi uma negociação longa. mas se você conversar com qualquer editora, a compra de ebooks nunca passa de 15% do total. As condições de operação para venda de ebooks já foram acordadas em dezembro com a advocacia da USP, então vamos testar.

– Que lições traz da sua primeira gestão como presidente da Edusp, entre 1994 e 1999?
SM: A Edusp está em muito melhor situação do que na minha primeira gestão, quando não tinha a autonomia financeira de que dispõe hoje. Isso é um avanço notável porque, para todos os projetos que fizemos naquela época, tínhamos de conseguir uma suplementação de verba na reitoria. O reitor da época sempre nos apoiou muito. A parte da comercialização também andou muito do ponto de vista de que hoje há mais acertos. Sob todos os pontos de vista operacionais melhorou muito. A editora tem um catálogo de quase 2 mil títulos e todas as grandes e boas editoras vivem do catálogo. Há títulos que são sistematicamente reimpressos, que é o nosso caso em muitos livros didáticos e em algumas obras clássicas, o que já é garantia de retorno e renda industrial. Agora, andamos tendo problemas com funcionários que estão se aposentando e temos de conseguir novas vagas. Mas não vi problema algum, por exemplo, para pagar direitos autorais aos autores estrangeiros, para celebrar contratos de edição de títulos estrangeiros, então a Edusp tem recursos e não precisa pedir a nenhum órgão superior, uma situação muito tranquilizadora e que dá muito mais condições de trabalho.

– A Edusp está comemorando 60 anos e quais são os desafios para as próximas décadas?
SM: Nos últimos anos, entre as editoras universitárias, praticamente só sobreviveram de uma maneira madura, rentável e operacionalmente viável as três ligadas a universidades estaduais em São Paulo, que são a da Unesp, a da Unicamp e a Edusp. O nosso desafio é que temos de construir uma voz dessas editoras universitárias ligadas ao sistema paulista e essa voz tem de aparecer por meio de publicações, de empreendimentos comuns. Porque se mostraram viáveis tanto do ponto de vista acadêmico e intelectual como operacional e financeiro. Não podemos cair na ilusão de que podemos arriscar e investir nos mesmos terrenos das editoras comerciais, porque não acho que esse seja o trabalho acadêmico e intelectual a ser desempenhado por editoras universitárias. Essas têm de arcar com o ônus da despesa de fazer obras que não tenham destino comercial garantido, ou não precisaria ser uma editora universitária. Uma informação importante para o público em geral é saber que todas as grandes editoras universitárias, Oxford, Cambrige, Yale, Princeton, todas são deficitárias, mesmo com catálogos monumentais. Não são só as brasileiras que são deficitárias. O que temos de fazer é persistir como uma instância de difusão da produção de qualidade dos nossos docentes. Isso é vital e por isso estamos lançando o edital, mas também temos de arriscar investir na publicação de obras que as editoras comerciais jamais fariam. Que editor comercial vai produzir ‘História Geral da Economia’, de Max Weber, ou ‘A Filosofia do Dinheiro’, de Georg Simmel, que publicaremos na Coleção Clássicos? Está fora de cogitação, mas são obras essenciais e que temos de ter em português para os alunos de humanidades. São duas obras que estamos negociando com um tradutor, entre muitas outras. Agora, para a comemoração dos 60 anos, o editorial já estava produzindo um livro comemorativo do catálogo, que vai ficar bastante legal. Não temos certeza se será uma edição impressa ou digital. A ideia é mostrar que se construiu um acervo vivo, um tesouro, que houve um investimento. Porque, desses 2 mil títulos, muitos continuam a ser reimpressos e é disso que a Edusp vive.

– O senhor começou várias coleções na sua primeira gestão. O que planeja para a atual?
SM: Primeiramente, temos de fazer a modernização das coleções antigas, porque visualmente estão com muita cara dos anos 90 e não é culpa de ninguém: todos envelhecemos. A que menos envelheceu foi a coleção acadêmica, mas, em todas as outras, como ensaios de cultura, mesmo nos clássicos, que tem capas resolvidas, uma capa gráfica que é muito bem equacionada, com mesmo uso da paleta de cores, temos de fazer essa revitalização gráfica e melhorar, tendo referência o projeto original. É uma coisa que todas as grandes editoras do mundo fazem, que é melhorar sem fingir que estamos começando do zero. Para as coleções novas, queremos fazer sobre obras de arte brasileiras e sobre obras de mestres brasileiros, com uma documentação iconográfica e um ensaio central. Então precisamos de um projeto gráfico novo. Também, como já fiz referência sobre a proposta de trabalho em parceira com as editoras da Unesp e da Unicamp, estamos tentando a concepção de uma publicação que não seja uma reedição de um jornal de resenhas, algo que fiz na minha primeira gestão, mas que tenha resenhas, entrevistas, materiais de análise política, para que a voz da universidade tenha um meio de difusão. Essa edição deve ser bem cuidada graficamente e com alta qualidade intelectual, por conta de uma pauta a cargo de uma equipe representativa de todas as áreas, mesmo da editoria de ciências.

– Quais os planos para as livrarias próprias da Edusp?
SM: Hoje são quatro livrarias na capital, no campus e no MAC-USP (Museu de Arte Contemporânea), e mais quatro nos campi do interior (São Carlos, Ribeirão Preto e Piracicaba). Em São Carlos, havia duas livrarias e conseguimos um espaço melhor, mais amplo, no centro do campus. Vamos juntar as duas livrarias e já temos um projeto de mobiliário, tudo pronto, para abrir em maio. O departamento comercial tem a intenção de abrir uma livraria na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, porque existia uma no prédio da Geografia e História na minha época, que foi fechada. E, eventualmente, queremos ter uma livraria no Museu Paulista, que será reinaugurado. Mas ainda não houve negociação e estamos esperando para ver se haverá espaço para a presença da Edusp. Mas continuamos a depender muito da grande livraria do campus, a João Alexandre Barbosa, que é responsável por cerca de 60% das vendas das livrarias da Edusp. As vendas pela internet deram um salto para mais de 30% durante a pandemia, mas, com arrefecimento, retroagiu um pouco, ainda que não tenha voltado ao nível baixo de antes. Então queremos investir mais na internet e por isso estamos produzindo uma newsletter, que tenha uma boa repercussão como as da Unicamp e da Unesp, que acho muito boas. O comercial está bem equacionado, mas temos de ampliar. Talvez, para o futuro, a Edusp possa abrir o site para livros de outras editoras, o que ampliaria a receita. Mas isso ainda vai demorar para se viabilizar. Também estamos refazendo todos os contratos de consignação, porque haviam sido descontinuados no fim do ano e isso é muitíssimo importante. Nossas livrarias não tem de vender só livro da Edusp, mas de todos, porque ganhamos dinheiro com isso e viabilizamos mais livros da Edusp.

Currículo
Professor titular do Departamento de Sociologia da USP, Miceli tem graduação em Ciências Políticas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), mestrado em Ciências Sociais pela USP, doutorado em Sociologia na Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, em Paris, e doutorado em Sociologia pela USP. É membro titular da Academia Brasileira de Ciências.

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