Para entender a história húngara

A Hungria, reduzida a um pequeno país pelo Versalhes-Trianon, foi, na segunda metade do século passado, palco de eventos decisivos na história universal.

18/08/2021

Em Jornal da Usp

Por Tibor Rabóczkay

Edusp se tornou uma das editoras mais importantes do país com a publicação de obras que preservam e difundem nossa cultura (por exemplo, as da autoria de Luis da Camara Cascudo em coedição), a publicação de excelentes textos didáticos de baixo custo (a Coleção Acadêmica, com mais de cem volumes), e o preenchimento de lacunas da bibliografia brasileira. Ela vem agora contribuir para o melhor conhecimento e compreensão acerca da história da Europa Central com o lançamento de Uma história da Hungria, da autoria de László Kontler. A Hungria, reduzida a um pequeno país pelo Diktat de Versalhes-Trianon, com a perda de dois terços de seu território anterior à Primeira Guerra Mundial e de quatro milhões de sua população, foi, na segunda metade do século passado, palco de eventos decisivos na história universal. Referimo-nos à revolução operário-estudantil de 1956 contra o stalinismo e, em 1989, à abertura de sua fronteira ocidental, permitindo aos turistas da Alemanha Oriental, em visita ao país, escaparem, via Áustria, para a Alemanha capitalista. Se a revolução de 1956, mesmo sufocada em sangue, abalou globalmente os partidos comunistas, a permissão para os milhares de turistas alemães orientais atravessarem a fronteira, em 1989, conduziu à desestabilização do regime stalinista germânico e à demolição do Muro de Berlim.

A extensa obra de Kontler inicia-se com referências aos povos que haviam passado pela região e acabaram desaparecendo assimilados por outros povos. Embora os fatos históricos sejam concatenados em longa cadeia de causas e efeitos, o leitor interessado em compreender a realidade atual, provavelmente ficará centrado nos cem anos mais recentes da história húngara. O que muitos conhecem da Hungria é que foi a “última aliada de Hitler”; um julgamento que se revela superficial. A leitura de Kontler mostra como esse país caiu numa trajetória forçada que o levou à trágica aliança. Em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial, o Império Austro-Húngaro figurava como uma grande potência europeia. O conflito armado entre os “imperialismos”, de intensidade até 1914 nunca vivenciados, levou à derrota das potências centrais (Alemanha, Áustria-Hungria, Turquia, Bulgária). A guerra foi seguida pela imposição de tratados de “paz”, inspirados pelo desejo de vingança e, contraditoriamente, pela esperança de uma futura era de paz. Ilusão incompatível com o espírito rancoroso e injusto dos tratados. O multiétnico império austro-húngaro – em nada melhor ou pior do que os impérios colonialistas no que diz respeito ao convívio de etnias – foi destruído. A região passou a ser constituída por vários países menores, por sua vez também multiétnicos, que herdaram não só os territórios, mas os conflitos interétnicos, a partir de Versalhes-Trianon potencializados. Países sem condições de cumprir o papel histórico do império: o de se opor ao futuro expansionismo germânico, encarnado por Hitler, e o eslavo representado, na época, pela URSS de Stálin.

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