O dicionário do iluminista que estudou o inferno no século 19

'Dicionário Infernal' traz verbetes que revelam a relação da sociedade da época com o oculto

07/12/2019

Em O Estado de S. Paulo

Por Gutemberg Medeiros

Dante, Gil Vicente, Goethe, Gógol, Dostoiévski, Baudelaire, Machado de Assis, Bulgákov, Brecht, Guimarães Rosa, ou Mick Jagger – não poucos se inspiraram no Príncipe das Trevas e a sua vasta sua corte. Pois esta legião invade as livrarias com o Dicionário Infernal: Repertório Universal , de Jacques Auguste Simon Collin de Plancy (1794-1881) em tradução de Angela Gasperin Martinazzo e coeditado por Edusp, UNB e Arquivo Nacional.

O intertítulo promete e entrega: Dos Seres, Personagens, dos Livros, dos Fatos e Coisas que Concernem aos Espíritos, aos Demônios, aos Feiticeiros, ao Comércio do Inferno, às Adivinhações, aos Malefícios, à Cabala e Outras Ciências Ocultas, aos Prodígios, às Imposturas, às Superstições e as Previsões, aos Fatos Atuais do Espiritismo e de Modo Geral a Todas as Falsas Crenças Fantasiosas, Surpreendentes, Misteriosas e Sobrenaturais.

Como o próprio autor apresentou em prefácio à edição de 1963, “reproduz os aspectos mais estranhos das evoluções da mente humana; expõe tudo o que diz respeito a espíritos, duendes, fadas, gênios, demônios, espectros e fantasmas, feiticeiros e seus feitiços malignos, o prestígio dos encantadores, a nomenclatura e funções de demônios e mágicos, tradições supersticiosas, narrativas fatos sobrenaturais, contos, populares”. Serve-se de contos populares das mais variadas partes do mundo até estudos específicos sobre adivinhações, astrologia, alquimia, cabala, magnetismo entre outras.

[…]

Plancy não apenas se convenceu de que os demônios eram reais, mas desenvolveu um desejo de controlá-los através da linguagem, um desejo tão fervoroso quanto o de seus antepassados iluministas de categorizar e definir palavras e ideias em dicionários e enciclopédias. O demonologista era tomado entre lógica e fé, ouvia os gritos de monstros horríveis enquanto escrevia com a caneta sóbria de naturalista. Este lançamento mostra-se importante contribuição para as mais variadas áreas de Ciências Humanas como sólida obra de referência e mesmo para os leitores vivamente interessados em trânsito de ideias ou cultura popular de tempos e lugares dos mais variados, não apenas europeu.

Leia o texto original na íntegra no ALIÁS – ESTADÃO

 

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