Nicolas Poussin e sua busca infinita pela paisagem

Pesquisas da crítica de arte Magnólia Costa sobre o artista francês são tema de livro da Edusp

09/10/2020

Em Jornal da USP

Por Leila Kiyomura

São paisagens que contam histórias. Uma narrativa do desenho que se movimenta entre cores e se expressa nos rostos e na ação de cada personagem. A luz do céu, filtrada pelas árvores, convida os leitores a ler primeiro as imagens das 272 páginas do livro Nicolas Poussin – Ideia da Paisagem, da crítica de arte Magnólia Costa, recém-lançado pela Edusp. E depois conhecer a pesquisa da autora sobre a história e obra do pintor. Uma outra narrativa que leva à reflexão sobre os rumos da paisagem na história da arte ocidental.

“Muito se sabe sobre Nicolas Poussin. As cartas do artista para seus padroni (mestres), suas notas sobre a arte de pintar e as Vidas com que seus contemporâneos o homenagearam são a base de um legado de textos que continua a crescer, mesmo passados 350 anos de sua morte. A fortuna de Poussin sempre esteve atrelada ao discurso. ‘Lede a história e o quadro.’ Com essas palavras, Poussin selou sua sorte.”

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Magnólia explica que, no livro, a obra de Poussin é entendida como um objeto histórico e circunscrito ao eixo Roma-Paris, entre 1624 e 1665. “Ela é produzida para padroni que pertencem a círculos sociais permeados por valores e interesses que se expressam segundo um repertório de conhecimentos e convenções bastante específico. A análise histórica da pintura de Poussin, em particular de suas paisagens, pressupõe a investigação desse repertório.”

“A mudança na história da paisagem conferiu a Poussin um papel central no desenvolvimento desse gênero de quadros na Academia Real de Pintura e Escultura de Paris.”

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Na análise de Chaimovich, foi como rigoroso seguidor de regras que Poussin deu voz à paisagem. “Essa mudança na história da paisagem conferiu a Poussin um papel central no desenvolvimento desse gênero de quadros na Academia Real de Pintura e Escultura de Paris, pois ele foi o grande modelo seguido na instituição, responsável pela própria definição e hierarquização da arte acadêmica ocidental desde a década de 1650.”

O crítico chama a atenção para a riqueza de fontes da pesquisa de Magnólia, citadas em “generosas notas agrupadas na parte final do volume”. Também destaca: “Ilustra esse fascinante percurso intelectual e artístico uma completa galeria de Poussin e dos pintores de seu tempo, analisada à luz dos conceitos que pautavam os debates do período: a ideia, o desenho, a cor, os gêneros de arte, a invenção, o deleite. E, transitando entre o regrado e o novo, surge um vívido retrato do artista que modernizou a história da paisagem, tendo seu impacto chegado até Cézanne”.

Leia o texto original na íntegra no Jornal da Usp

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