“Não há evolução sem ruptura”

Alex Flemming – pintor, escultor e gravador

24/08/2020

Em Panorama Mercantil

Por Eder Fonseca

Alex Flemming é pintor, escultor e gravador. Frequentou o curso livre de cinema na FAAP, em São Paulo, entre 1972 e 1974. Cursou serigrafia com Regina Silveira (1939) e Julio Plaza (1938-2003), e gravura em metal com Romildo Paiva (1938), em 1979 e 1980. Em 1981, viajou para Nova York, onde permaneceu por dois anos e desenvolveu projeto no Pratt Institute, com bolsa de estudos da Fulbright Foundation. A partir dos anos 1990, realizou intervenções em espaços expositivos e pinturas de caráter autobiográfico. Passou também a recolher móveis como cadeiras e poltronas, para utilizar em seus trabalhos, aplicando sobre eles tintas e letras ou textos. Em 1998, realizou painéis em vidro para a Estação Sumaré do Metrô de São Paulo, com fotos de pessoas comuns, às quais sobrepõe com letras coloridas trechos de poemas de autores brasileiros. A representação do corpo humano e os mapas de regiões em conflito estão na série Body Builders (2001-2002). Em 2002, são publicados os livros Alex Flemming, pela Edusp, organizado por Ana Mae Barbosa (1936), com textos de diversos especialistas em artes visuais, e Alex Flemming, uma Poética…, de Katia Canton (1962), pela editora Metalivros, em 2005, o livro Alex Flemming: Arte e História, de Roseli Ventrella e Valéria de Souza, pela Editora Moderna e no ano de 2012 o livro Alex Flemming, da crítica de arte Angélica de Moraes com edição da Cosac Naify.

Alex, como a arte pode ser o remédio contra a complexidade do mundo contemporâneo?

A complexidade do mundo contemporâneo não é má, podendo até ser muito boa. O que precisamos combater é o obscurantismo, a violência, o racismo estrutural, a intolerância com o Outro Diferente. Essas mazelas, na verdade, sempre ocorreram, é apanágio de nossa condição humana, sendo que o que difere no decorrer das épocas, é a dose. Infelizmente no Brasil dos tempos bolsonáricos, houve um movimento gigantesco de retrocesso, com ministros postos em lugares-chave para o desmantelamento e a aniquilação de Legislação conquistada em décadas de civilização, convívio mútuo respeitoso e luta social. Ou seja, de contemporâneos esses tempos não têm nada. Viva a volta à contemporaneidade! Se a arte pode ajudar nesse processo? Quisera eu poder responder que sim, mas sua pergunta é muito mais complexa do que uma desejável verdade… A Arte Pública talvez sim, desde que não seja panfletária ou propagandística. A arte em seu ápice que provoca a epifania individual, o que só o indivíduo poderá perceber (e modificar-se ou não).

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Criar rupturas, também é um papel do artista?

Claro. Tradição e ruptura são o Eros e o Thanatos da produção artística. Não há ruptura sem tradição e não há evolução sem ruptura. A ruptura é a nossa contribuição como artista, e essa ruptura só é válida se conhecemos o passado, a História: em outras palavras, a tradição.

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Leia a entrevista na íntegra no Panorama Mercantil

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