Livro expõe dilemas entre liberalismo e democracia no Império

O sociólogo Sérgio Adorno discute a origem dos ideais liberais entre os bacharéis e sua relação com o Estado

01/10/2019

Em Jornal da USP

Por Maria Laura López

“Como era possível que o Estado fosse autoritário e seus construtores, bacharéis em direito, liberais? O liberalismo não se opunha ao autoritarismo?”, questiona o sociólogo Sérgio Adorno, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, no seu livro Os Aprendizes do Poder – O Bacharelismo Liberal na Política Brasileira, que acaba de ser reeditado pela Editora da USP (Edusp).

O Estado autoritário a que o autor se refere é o Brasil imperial, período estudado em sua pesquisa. A análise abrangeu os anos de 1827, quando foram criados os cursos jurídicos no Brasil, a 1883, ano em que se formou a primeira turma de bacharéis em Direito após a implantação da Reforma do Ensino Livre, em 1879, que separou os cursos jurídicos e os cursos de Ciências Sociais no Brasil.

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Os Aprendizes do Poder se constrói traçando paralelos históricos, a fim de esclarecer o contexto por trás das proposições feitas pelo autor. Para explicar o dilema entre liberalismo e democracia, por exemplo, Adorno começa contando como as ideias iluministas chegaram ao Brasil e sua influência no processo de independência do País.

O primeiro dos quatro capítulos do livro se ocupa em desenvolver e explicar as ambivalências entre liberalismo e democracia. O segundo e o terceiro analisam o papel dos cursos jurídicos na formação do Estado nacional. Para isso, o autor pesquisou a estrutura curricular, o processo de ensino e a relação entre corpo docente e corpo discente. Essa investigação mostrou que a aprendizagem dos estudantes não estava diretamente relacionada à sua formação ideológica, devida principalmente aos jornais acadêmicos.

[…]

Como Adorno explica, a ideia da investigação que resultou no livro surgiu das inconsistências que a política e os intelectuais do Brasil, no Império, apresentavam em relação aos princípios liberais e democráticos. Primeiro, Adorno queria entender a gênese dos intelectuais brasileiros e suas relações com o Estado. Mas um levantamento bibliográfico preliminar revelou a importância dos bacharéis em Direito nesse cenário.

Assim se construiu o objeto de estudo da tese Patrimonialismo, a Arte da Prudência e da Moderação – O Liberalismo e a Profissionalização dos Bacharéis na Academia de Direito de São Paulo, defendida por Adorno em 1984, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, lançada em livro em 1988 pela Editora Paz e Terra e agora reeditada pela Edusp. Para esta nova edição, o autor revisou o texto original e o simplificou, de modo a atender tanto aos padrões da comunidade acadêmica quanto ao leitor menos familiarizado com eles.

Leia o texto original na íntegra no jornal da USP

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