Livro aborda o trabalho escravo na Fábrica de Ferro Ipanema, em Iperó

Obra traz revelações sobre uma modalidade pouco explorada pela historiografia brasileira: os homens que pertenciam ao Estado

23/06/2019

Em Cruzeiro do Sul

Por Felipe Shikama

A força de trabalho escravo usada na construção e no funcionamento da Fábrica de Ferro São João de Ipanema, em Iperó, é analisada no livro Escravos da Nação: O Público e o Privado na Escravidão Brasileira, 1760-1876, da pesquisadora Ilana Peliciari Rocha, que acaba de ser lançado pela Editora da USP (Edusp).

Com 344 páginas, a obra traz revelações sobre uma modalidade de escravidão pouco explorada pela historiografia brasileira: os escravos que pertenciam ao Estado, que se distinguem como escravos públicos e que durante o Brasil colonial eram chamados de “escravos do Real Fisco” ou “escravos do Fisco” e no Império ficaram conhecidos como “escravos nacionais” ou “escravos da nação”.

O livro é fruto da tese de doutorado em História Econômica, pela USP, defendida pela autora em 2012. A escravidão, aliás, já havia sido objeto de estudos de Ilana na graduação em História, pela Unesp, e no programa de mestrado em História Econômica, também pela USP. “A ideia de trabalhar os ‘escravos da nação’ surgiu, inicialmente, de um bate-papo com meu orientador [professor Dario Horacio Gutierrez Gallardo] e materializou-se com o contato com documentos no Arquivo do Estado de São Paulo”, detalha. A autora examinou fontes oficiais, como os relatórios governamentais dos ministérios, documentos manuscritos como cartas oficiais e requerimentos, legislação, recortes de jornais e outras publicações da época.

Conforme ela, esse contingente de escravos públicos foi incorporado ao patrimônio imperial depois do confisco dos bens dos jesuítas pela Coroa portuguesa, em 1760, e continuaram presentes por mais de um século, até a implantação gradual da Lei do Ventre Livre, de 1871.

Além da Fazenda de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, uma propriedade agrícola de usufruto da Coroa como local de passeio, o livro analisa a Fábrica de Ferro São João de Ipanema, em Iperó, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), ambos redutos de escravaria pública que, segundo a pesquisadora, permitem uma visão panorâmica das transformações ocorridas no âmbito do escravismo brasileiro.

Tratamento diferenciado

E quais as diferenças fundamentais entre os escravos públicos e os escravos privados? Segundo a autora, para pensar nessa caracterização é preciso retornar ao tratamento que os jesuítas deram a esses escravizados. “Esses padres estimularam, por exemplo, que os escravizados formassem famílias”, comenta.

[…]

O número de escravizados oscilou de 100 a 167 para o período de 1837 a 1862. Posteriormente, ocorreu a redução, gradativamente, para 52 escravizados em 1870.

Essa redução, revela Ilana, ocorreu em função de mortes e transferências de escravos para outros estabelecimentos. “Além disso, as alforrias estavam presentes, principalmente as dos homens, possivelmente aqueles especializados que ganhavam uma remuneração”.

Leia o texto original na íntegra no Cruzeiro do Sul

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