Livro aborda o drama da música erudita no capitalismo

Obra do professor da USP Willy Corrêa será lançada no dia 23 de abril, às 17 horas, na Cidade Universitária

18/04/2019

Em Jornal da USP

Por Editoria

Paul Badura-Skoda, pianista austríaco notável por suas interpretações de Mozart, foi surpreendido, certa vez, com a mais calorosa recepção de sua vida ao desembarcar no Aeroporto de Guarulhos para realizar um recital em São Paulo. Depois de minutos de ovações, deu-se conta de que os aplausos eram para atletas de um time de vôlei que vinham no mesmo voo. Sua presença pouco importou.

Essa historieta ilustra a situação complicada em que a música erudita se encontra. Do ponto de vista do mercado, observa-se que, no auge da globalização do CD, no começo da década de 90, a venda de discos de música erudita correspondia a apenas 3,8% do mercado mundial de CDs. Atualmente a situação se agravou e, nos Estados Unidos, país que concentra a maior venda de discos, a música erudita representa 1,6% do total de vendas de CDs, mesmo com seus ouvintes preferindo os discos físicos aos produtos virtuais.

Em 1998 essa conjuntura da música erudita foi antevista pelo professor Willy Corrêa de Oliveira, do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, em sua tese de livre-docência intitulada Cadernos. É essa tese que a Edusp vai lançar no dia 23 de abril, terça-feira, às 17 horas, na Livraria João Alexandre Barbosa, na Cidade Universitária, em São Paulo.

O argumento central do trabalho de Willy é que, pelo fato de a música erudita ser uma linguagem milenar e – em razão disso – fazer muitas exigências para seu cultivo e apreensão, ela encontra muitas dificuldades para se tornar uma mercadoria no capitalismo. Isso ocorreria porque toda a estrutura desse sistema econômico está erigida para o lucro, o qual é necessariamente redirecionado para a ampliação constante da acumulação e da base de reprodução do capital. Nessa ordem de coisas que dá primazia a uma produção mais material, a música erudita constitui um investimento de alto custo e baixíssimo retorno, o que torna inviável, aos olhos do Estado, sua ampla generalização como política de ensino a largo prazo. Na prática, isso equivale a dizer que, no Brasil, enquanto mais de 350 mil pessoas se matriculam anualmente em cursos de Engenharia Civil, a cada ano pouco mais de 3 mil começam um curso de Música.

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Leia o texto original na íntegra no jornal da USP

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