Como planejar uma cidade com transparência e qualidade de vida?

Questões como essa são debatidas no livro “Roberto Cerqueira César: São Paulo na Visão do Urbanista”, da Edusp

19/03/2021

Em Jornal da USP

Por Leila Kiyomura

“Cerqueira César entendia que as decisões de caráter urbanístico que afetam a vida e os interesses de incontáveis pessoas deveriam ser abertas, transparentes e democráticas, isto é, sujeitas ao debate e às discussões, sempre visando à melhoria da qualidade de vida”, destaca o professor Paulo Bruna, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, organizador de Roberto Cerqueira César: São Paulo na Visão do Urbanista. Lançado pela Edusp, o livro traz o pensamento, o trabalho e os desafios de Cerqueira César no planejamento da cidade.

Paulo Bruna apresenta uma seleção de 35 artigos dos mais de 400 que o engenheiro, arquiteto, urbanista e professor da FAU Cerqueira César publicou entre 1958 e 1975 no jornal O Estado de S. Paulo. Também reúne textos de conferências pronunciadas entre 1975 e 1978, quando ele foi secretário dos Negócios Metropolitanos de São Paulo, e textos de engenharia e arquitetura escritos entre 1958 e 1973.

A edição, com 348 páginas, chega à cidade em seu momento mais trágico na luta contra a covid-19, com o Estado registrando uma nova morte a cada dois minutos e seis segundos (dados do dia 16 de março) e totalizando mais de 65 mil óbitos. Daí a importância e atualidade do trabalho de Cerqueira César, registrado no livro por Paulo Bruna com a participação de Maria Ruth Amaral de Sampaio e Hugo Segawa, também professores da FAU.

“Um dos propósitos deste livro é relembrar algumas das principais preocupações de Cerqueira César como arquiteto atuante no mercado por meio de seu renomado escritório, como professor da FAU e na qualidade de profissional que prestou serviços a órgãos públicos de planejamento urbano, municipais e estaduais”, observa Maria Ruth. “Os textos que escreveu entre 1958 e 1978 mostram não somente os problemas que a cidade enfrentou, muitos deles até hoje não solucionados e até agravados, mas sobretudo refletem as opiniões e a permanente preocupação do arquiteto com o crescimento urbano que escapava do controle dos órgãos públicos responsáveis pela cidade.”

[…]

O paulistano Cerqueira César morreu no dia 25 de junho de 2003, com 86 anos. Porém, segundo o professor Hugo Segawa, deixou um legado para o planejamento urbano dos governos futuros: prever os problemas e antecipar soluções, tentar evitar os piores efeitos mediante estudo e planejamento racional, antecipar medidas de natureza profilática antes do desastre maior e tornar o planejamento uma prática, não apenas uma retórica ou propaganda de logística.

Leia o texto original na íntegra no Jornal da Usp

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