Cartas contestam versão de que Mário de Andrade seria ateu

Correspondência do modernista com Alceu Amoroso Lima é lançada em livro

09/03/2019

Em Folha de S. Paulo

Por Redação

Alceu Amoroso Lima foi um dos críticos literários mais importantes de seu tempo – e um dos primeiros fora de São Paulo a entender a importância do que acontecia na Semana de 1922.

Baseado na então capital, o Rio de Janeiro, o crítico passou a receber obras e cartas de novos escritores que despontavam. Em 1925, começou uma correspondência com um dos líderes do movimento paulista, Mário de Andrade, que lhe enviava uma edição do livro A Escrava que Não Era Isaura, com uma dedicatória.

Esse grupo de cartas está reunido em uma edição que acaba de chegar às livrarias, com organização do pesquisador Leandro Garcia Rodrigues.

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“Alceu vai dizer que a literatura moderna brasileira se tornou adulta com Mário. Ele percebia no escritor uma evolução que respeitava a tradição literária, sem ignorar o passado, o que seria o contrário do Oswald. Ele via uma veia conservadora ali”, diz o organizador das cartas.

Outro ponto que em tese oporia os dois seria a religiosidade. O modernista costuma ser apontado como ateu, embora tenha tido uma educação católica. Amoroso Lima, além de tudo, chegou a fazer a ponte entre o varguismo e a Igreja Católica – isso em um momento no qual Mário se opunha ao governo.

Mas Rodrigues acha que as cartas permitem questionar a descrença do autor modernista. Em uma das missivas, Mário diz soltar “um grande grito para Deus me escutar”.

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Leia o texto original na íntegra na FOLHA

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