A história das bibliotecas pelo mundo, segundo dois pesquisadores

A forma física dos livros, que mudou significativamente desde a Antiguidade, determinou os formatos e a organização das bibliotecas em diferentes séculos

17/08/2019

Em O Estado de S. Paulo

Por Júlia Corrêa

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As bibliotecas, espaços que respondem precisamente a essa necessidade do homem de abrigar seus registros, são tema de duas obras lançadas este ano no Brasil – História das Bibliotecas: de Alexandria às Bibliotecas Virtuais, de Frédéric Barbier, e A Biblioteca: uma História Mundial, de James W. P. Campbell e Will Pryce. Embora os títulos guardem semelhanças e seus autores empenhem-se igualmente na tarefa de estabelecer uma linha do tempo da formação desses espaços, o leitor encontrará abordagens bastante distintas.

Pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique e herdeiro de Henri-Jean Martin na direção da cátedra História e Civilização do Livro, da École Pratique des Hautes Études, Frédéric Barbier expõe uma visão muito mais teórica em relação à constituição das bibliotecas como instituições dotadas de estruturas, identidades e funções variadas. Como ele nos lembra, o sintagma de “biblioteca” é de origem grega e significa “o armário dos livros”. Passando, com o tempo, a designar os ambientes onde esses móveis estão dispostos, é transposto diretamente para o latim, mas permanece em desuso por boa parte da Idade Média, época em que “livraria”, ainda sem o caráter comercial, é o termo mais empregado. A acepção comum nos dias de hoje só se firmaria no século 18, quando a Encyclopédie incorporou “biblioteca” como um de seus verbetes.

Posto isso, o autor propõe uma análise que privilegia a antropologia, a partir da qual ele forja uma sofisticada teoria: a das bibliotecas como instituições de transferência cultural. Em sua visão, mais do que simples espaços de armazenamento, elas adquirem relevância “na medida em que oferecem uma parte mais ou menos importante da informação disponível sob uma forma escrita num dado momento”. Isso fica evidente, por exemplo, quando pensamos na importação de livros da cultura grega clássica para as bibliotecas abertas da Roma pré-imperial, muitas delas fruto de pilhagens de guerras no Oriente.

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Barbier nos convida a viajar pelos distintos processos que marcaram nossa busca por sabedoria. Relata-nos detalhes de escavações que levaram à descoberta de histórias como as das tabuinhas; passa pela criação e queda das bibliotecas da Antiguidade; mostra-nos a retomada dessa tradição pelo Cristianismo; a multiplicação de instituições de ensino e a revolução de Gutenberg que têm início no período medieval, assim como a ideia renascentista das bibliotecas como conservatório do pensamento humano; salienta as bases da biblioteconomia moderna estabelecidas na era barroca; o ideal iluminista de esclarecimento público, as revoluções industriais, até a atual e complexa desmaterialização dos livros.

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Leia o texto original na íntegra no Estadão

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