A demolição do barroco em livro de ensaios

Com "Agudezas Seiscentistas", o professor João Adolfo Hansen dá início a uma trilogia de artigos inéditos e dispersos

28/09/2018

Em O Estado de S. Paulo

Por André Jobim Martins

Agudezas Seiscentistas e Outros Ensaios é o primeiro de três volumes de ensaios de João Adolfo Hansen, até agora inéditos ou dispersos em coletâneas e revistas acadêmicas, que a Edusp começa a publicar. Apesar de o livro não se organizar em torno de um eixo argumentativo linear, preservando a forma original dos artigos, quem procura uma introdução ao estudo de nossa literatura colonial não fará mal em começar por esta coletânea.

Os textos do professor de literatura da USP alcançam um patamar de excelência raramente encontrado entre nós. Isso se deve, em primeiro lugar, a uma compreensão aguçada da operação historiográfica como artifício de reconstrução do passado. É nesse sentido que Hansen evita o termo “barroco”, amplamente consagrado na designação de artefatos culturais luso-brasileiros produzidos entre o final do século XVI e o início do XIX.

Ao evitar o “barroco”, Hansen toma uma providência necessária para que saibamos ler e ver as expressões da cultura luso-brasileira seiscentista por trás da espessa camada de categorias de interpretação anacrônicas sedimentada pela historiografia da arte e da literatura romântica e iluminista. As categorias associadas ao “barroco” implicam uma série de juízos inadequados à compreensão daqueles artefatos históricos. Desfazer o estrago é mais difícil do que parece.

[…]

O mundo que Hansen nos apresenta desafia os limites de nossa capacidade de compreensão. Como, em nossa cultura organizada em torno dos valores romântico-iluministas da liberdade, individualidade, originalidade e autenticidade, podemos compreender um sistema de representações que pressupõe um repertório dado e restrito de figuras, articulações e circunstâncias nas quais elas são aplicáveis? E por que estudá-lo? Considerar o conhecimento histórico como algo instrumental talvez seja ignorar seu valor intrínseco, mas é possível arriscar uma resposta. A disposição de entender esse mundo codificado pode significar uma aptidão maior para a compreensão e crítica dos modos menos explícitos de controle do discurso e do imaginário que apareceram desde o declínio da instituição retórica no século XVIII, como o “livre mercado” das ideias e obras de arte e, mais recentemente, para usar as palavras de Hansen numa aula magna recentemente proferida na USP, a “blindagem pop-fascista” do real pela (pós) moderna indústria cultural.

Leia o texto original na íntegra no ALIÁS – ESTADÃO

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